Não existe outra palavra para definir o que aconteceu no Congresso Nacional nesta semana: VERGONHA. O aumento que os deputados concederam a si próprios de mais de 60% é algo ridículo.
Esses senhores, que acreditam estar acima de qualquer lei, norma ou moral, tiveram a "cara de pau" de utilizar os últimos expedientes do ano do Congresso Nacional e na calada da noite concederam esse aumento indecente.
Não devemos esquecer que esse salário será utilizado não somente para o pagamento dos próximos deputados e senadores eleitos nessa última eleição (o que já é algo imoral, porque muitos continuam na casa), mas também para o cálculo das "aposentadorias" dos que saem esse final de ano.
É muito interessante que uma certa categoria seja melhor que o resto da nação e possa legislar em causa própria, determinando quanto deve ser o aumento para o seu próprio salário. E ainda por cima chamam isso de democracia! Democracia deveria ser o poder emanando do povo e nada mais longe do povo do que um aumento desse tamanho.
Na segunda-feira pude ver na televisão a justificativa de um deputado para esse aumento. Acho que me convenceu. Ele disse que os congressistas são muito requisitados como padrinhos de casamento (!!!), paraninfos de formaturas (!!!???!!!!) e que tem obrigações com as suas bases (ele quis dizer que deve sustentar os seus currais eleitorais? É isso??). Não contente em dizer essas barbaridades, o nobre parlamentar disse ainda que é impossível cumprir as suas obrigações financeiras com os 7 mil que sobram do salário e desafiou qualquer brasileiro a viver com um salário de 11 ou 12 mil mensais.
Gostaria de perguntar ao nobre deputado: "O senhor sabe quantos brasileiros tem o prazer de receber 11 ou 12 mil reais por mês?". Garanto que a grande maioria do eleitorado dele não faz parte desse privilegiado grupo de pessoas.
Infelizmente a minha antiga teoria está cada vez mais confirmada: o nosso país não tem mais solução pacífica a curto prazo (infelizmente). Isso, porque essa cultura de tomar para sí o bem público, que se espalhou pelos parlamentares (independente de partido, estado de origem ou sexo), não é algo que se consiga resolver facil e rapidamente. Vejamos.
Com o valor indigente que é investido no ensino básico do país, vamos continuar uma horda de ignorantes, sustentados pelos "bolsas famílias" da vida. Com isso, tudo está maravilhoso, tudo está correndo muito bem, todos estão felizes, não importando o que aconteça. Isso é um ciclo vicioso. Ignorância gera ainda mais ignorância, em escala exponencial. O céu é o limite.
Esse status da população gera essa inércia, essa apatia, quando percebemos uma barbaridade dessas acontece e não vemos ninguém indo as ruas para reclamar. Não sei se estou enganado, mas em boa parte dos países da América do Sul (lugar onde, em nossa arrogância, acreditamos ser um país superior a todos) já teríamos o povo na rua contra esse fato.
Além disso, se observarmos o passado recente do país, veremos outros pontos interessantes, que ajudam a explicar o que acontece.
Alguns anos atrás (na minha adolescência), a fonte de demonstração de insatisfação do país eram os sindicatos, que agitavam greves e passeatas contra o regime e seus atos.
Aí veio o Neo-Liberalismo (com o nosso querido presidente Fernando Henrique Cardoso), onde um dos princípios básicos é o enfraquecimento dos sindicatos para que o capital possa dominar completamente as relações entre empregado e empregador. Parecia o fim.
Mas, surgiu uma luz no fim do túnel, um governo que se auto-proclamava de esquerda (nosso querido Luis Inácio Lula da Silva). E o que acontece? Os sindicatos são simplesmente engolidos pelo governo, num sistema de "trocas" que tornou os sindicatos parte integrante do governo. Como esse congresso é majoritariamente governista, como reclamar dele e do que ele faz?
Ah, mas tem a juventude, com a sua urgência e raiva natural. Os estudantes e suas convicções políticas e ideológicas. Basta vermos o papel desses estudantes no impeachment do nosso querido presidente Fernando Collor de Mello. Mas, cadê os estudantes em passeatas contra os nossos parlamentares (tirando meia dúzia de gatos pingados que fizeram uma manifestação em Brasília)?
No caso Collor, a nossa juventude estava assistindo a uma minisérie da Globo, onde as revoltas contra o Golpe de 64 apareciam (caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento...e por aí vai). A própria emissora, na época, entrou em rota de colisão com o então presidente e praticamente incitou os jovens a essa "revolta". Vamos ser sinceros, é muito difícil fazer qualquer estudante, ou qualquer outro cidadão comum, ir para uma passeata hoje em dia. Estamos simplesmente anestesiados, assistindo a tudo pela televisão. Mas que televisão: LCD de última geração...
Por falar nisso, cadê a indignação da Rede Gllobo, a "Vênus Platinada"? A emissora "chapa branca" é cada vez mais governo.
Por essas e por outras é que não acredito em uma solução, nem a médio prazo. Constato que vamos continuar vendo essas barbaridades por muitos anos. Até que as nossas falências, como país, sejam decretadas.
A falência educacional é evidente. Festejamos estar em trigésimo e alguma coisa lugar, em uma lista que deve ter uns cinquenta países!
A falência moral também é evidente, basta observar o que acontece ano após ano no nosso Congresso, Governo e Judiciário, por mais que esses sejam renovados pelo voto ou indicação.
Já a falência econômica é algo não tão evidente, principalmente de acordo com as notícias ufanistas que recebemos todo dia. Não sou economista, mas em conversa com muitos deles (alguns completamente apocalípticos), adquiri uma certeza: nosso país caminha a passos largos para uma situação financeira incrivelmente ruim.
A tal marola que o nosso querido presidente Lula teimou tanto em ressaltar vai nos atingir como um verdadeiro tsunami e aí vamos ver onde estarão esses "representantes do povo", que tem a cara de pau de conceder esses aumentos indecentes.
Isso tem que mudar. Não é possível que um grupo de pessoas possa legislar sobre o próprio salário, sem levar em consideração um status geral da economia. O governo faz um discurso de que deve gastar menos para diminuir a dívida pública interna e os nossos deputados e senadores aumentam o próprio salário em mais de 60%. Isso não é acima da inflação do período. Isso não levou em consideração indicador nenhum! Essa situação tem que mudar, temos que começar a aprender com a iniciativa privada (não que seja o paraíso, mas tem algumas coisas interessantes que deveriam ser copiadas).
Decisões devem ser tomadas baseadas em indicadores. Os profissionais devem ser avaliados se cumpriram os seus objetivos. As empresas devem ser analisadas baseado em seus objetivos e nos resultados obtidos.
Substitua profissional por político e empresa por governo e você terá uma idéia do que penso sobre isso.
Se esse texto servir para alguma coisa, que pelo menos sirva para colocar aquele vírus de indignação em quem lê, para que coisas como esse possam deixar de acontecer num prazo menor do que eu acredito.
Mas, o importante é o Carnaval, a Copa do Mundo de Futebol, a Olimpíada do Rio .... isso me lembra uma piada antiga do Juca Chaves que dizia: "Hiena come merda e rí do que?"

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