terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um Conto de Dia das Bruxas



Eu sei que o Dia das Bruxas já passou, mas quero apresentar um filme magnífico que merece ser visto e revisto: Donnie Darko.
Quem não viu ainda, corra para ver. Vale a pena.
Ah, só mais um aviso: Esse post contém spoilers.




Donnie Darko, EUA, 2001


Direção: Richard Kelly


Elenco:
Jake Gyllenhaal (Donnie Darko)
Jena Malone (Gretchen Ross)
Maggie Gyllenhaal (Elizabeth Darko)
Patrick Swayze (Jim Cunningham)
James Duval (Frank)
Mary McDonnell (Rose Darko)
Katharine Ross (Dra. Lilian Thurman)
Drew Barrymore (Karen Pomeroy)


Trailer Legendado


Sinopse:


Rapaz desajustado e com problemas psicológicos recebe o chamado de um "coelho gigante" que o salva da morte, quando a turbina de um avião cai sobre a sua casa (e que ninguém tem a menor idéia do onde veio!). Além disso, o "coelho" alerta o rapaz que faltam poucos dias para o fim do mundo e começa a induzi-lo a cometer certos atos que modificarão a vida dele. Entre outras coisas, ele leva o rapaz a estudar as possibilidades de viagens no tempo.


Por que gostar de Donnie Darko?


Bem, o filme começa ao som de "Killing Moon" do Echo and the Bunnymen, uma das minhas músicas favoritas e só isso já seria um bom motivo para que esse seja um filme legal. Além dessa música, quando o protagonista vai transar pela primeira vez com a sua nova namorada está tocando "Love Will Tear Us Apart" do Joy Division, outra música fantástica. Fora isso, o título da música é uma premonição do que vai acontecer no filme.
Mas isso é só uma parte da viagem que esse filme é. E a viagem é maravilhosa para quem resolver embarcar com tudo nela.
Com o argumento acima pode ficar difícil imaginar onde vai parar essa história. E a história realmente toma caminhos inusitados, tornando esse filme muito especial.
Em primeiro lugar, pela mistura de gêneros, muito bem idealizada pelo autor (Richard Kelly). Em segundo lugar, porque é um filme muito bem dirigido, montado e com atuações excelentes de todo o elenco.
Claro que é preciso destacar a atuação de Jake Gyllenhaal, o protagonista do filme. Ele nos passa todas as emoções contraditórias pelas quais o personagem passa ao longo da história. Ele está excepcional nesse filme.
Outro aspecto fundamental desse filme é que ele permite inúmeras interpretações diferentes. Quando terminamos de assistir ao filme, temos a sensação de ter visto algo muito estranho, interessante, mas que precisa ser melhor "digerido". O filme merece ser visto mais do que uma única vez.
É um filme inteligente, com uma mistura de elementos relacionados à religiosidade, ao sobrenatural, à ficção científica, ao drama e outros assuntos.
Concordo com aquelas pessoas que encontraram "furos" no roteiro do filme (nada é perfeito mesmo!). Mas, não vejo esses pequenos "furos" como problemas, muito pelo contrário. É isso que demonstra o caráter autoral do filme, realçando as suas qualidades.


Dica: não assista à versão Director's Cut do filme, onde o diretor tenta explicar o que acontece no filme, enchendo ele de cenas com teorias para o que está acontecendo. Pelo que pude perceber, isso aconteceu porque o público americano não entendeu o filme! Prefiro essa versão original, que permite a você refletir um pouco sobre o que está sendo apresentado.


A Felicidade não se Compra (Se Consegue a Machadadas!)




Donnie Darko, em sua essência, é um filme sobre a existência, ou não, do livre arbítrio. Se somos guiados por um destino predeterminado ou se é possível modificar esse destino (por exemplo, voltando no tempo e modificando o futuro!).
Para apresentar esses conceitos, o filme se apresenta, em linhas bem gerais, como um espelho do filme A Felicidade não se Compra, de Frank Capra (1949). Enquanto o filme da década de quarenta é um Conto de Natal, podemos considerar Donnie Darko como um Conto do Dia das Bruxas! Vou tentar explicar.
No clássico de Capra, na véspera de Natal, o personagem vivido por James Stewart tenta se matar, por acreditar que seria melhor assim (para seus parentes e amigos). Então um anjo é enviado dos céus para mostrar a ele como teria sido o mundo se ele não tivesse existido. O personagem percebe que foi muito mais importante para as outras pessoas do que ele próprio imaginava, e resolve não se matar e tudo termina bem. Todos felizes para sempre.
Já, em Donnie Darko as tonalidades são um pouco mais sombrias (aqui, "darko" vem de "dark" mesmo). Donnie não está tentando se matar, mas tem muitas dúvidas na cabeça, inclusive sobre a sua própria sanidade mental. Realmente, ver um coelho gigante não é das coisas mais mentalmente saudáveis que pode acontecer com alguém!
Ele é um daqueles adolescentes revoltados típicos (ou praticamente típico), que briga com a irmã mais velha, ofende a mãe e os outros e é perseguido pelos delinquentes da escola. Contudo, ao mesmo tempo, ele é um adolescente com profundos problemas psicológicos (pelo menos é o que pensam seus pais e a psiquiatra que o entope de medicamentos) e que já "aprontou" muitas. Mas isso não impede que ele seja extremamente inteligente e prespicaz.
Numa noite, Donnie recebe a visita de Frank. Não um anjo, mas um coelho gigante! Na verdade, alguém vestindo uma fantasia peluda e com uma máscara macabra de coelho.
Frank é o espírito do futuro que vem salvar Donnie da morte, porque nesta noite do encontro, uma turbina de avião cai sobre a casa de Donnie, exatamente sobre o seu quarto! Esse espírito vem mostrar a Donnie as desgraças decorrentes da sua salvação!!
Ao salvar Donnie, o coelho avisa que faltam 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos para o fim do mundo. Na verdade, o que Donnie vai descobrir é que esse é o prazo para que ele se resigne com o seu destino.
Donnie vai descobrir que é possível voltar ao passado para modificar o futuro e resolver um monte de problemas gerados por ele ter permanecido vivo. Ele afirma para a namorada, em determinado momento: "Eu prometo que, um dia, as coisas serão melhores para você".
É o fim do mundo para Donnie, mas ele está feliz.
O interessante é que as visões que Donnie tem de Frank começam quando ele toma os seus comprimidos, levando-nos a acreditar que são alucinações. Mas essa é uma explicação simplista demais...
A versão do diretor (mas porque será que tem sempre aparecer uma versão do diretor?) tem uma cena cortada da versão original do filme. A psiquiatra de Donnie utiliza sessões de hipnose e numa delas ele vê Frank e tem uma crise, porque descobre que o coelho vai matar alguém naquela noite. Assustada, a psiquiatra o tira do transe hipnótico.
Até aí nenhuma diferença entre as versões do filme, mas logo em seguida, na versão do diretor, somos informados que os medicamentos que ele toma são placebos !!! Isso explica tudo.
Na verdade, esse filme é um grande quebra-cabeça que você deve ir montando conforme as peças vão sendo oferecidas.


Quem é Frank? O Coelho da Alice?




Talvez Frank seja uma espécie de coelho "atrasado" de Alice (ou melhor, de Donnie) que deve ser perseguido quando estivermos dentro do espelho (ou no País das "Maravilhas").
Em boa parte do filme ficamos sem saber quem é o coelho e porque está vestindo essa fantasia. Mesmo quando Donnie faz com que ele tire a máscara, a pessoa é desconhecida, tanto para nós, quanto para Donnie. Só descobriremos a identidade dele, quase no final do filme, no início do climax da história. Ele é o namorado da irmã mais velha de Donnie (vivida pela irmã dele na vida real Maggie Gyllenhaal) e que foi morto por um tiro no olho.
Tiro esse disparado por quem? Claro, pelo próprio Donnie, mas no "futuro" do que vemos.
Ele é um espírito do futuro que volta para "guiar" Donnie por sua jornada de autoconhecimento e de acerto de contas consigo mesmo. Nessa jornada, ele leva o protagonista a cometer alguns delitos, com consequencias das mais variadas.
Por exemplo, quando Frank leva Donnie a inundar a escola onde estuda, o cancelamento das aulas faz com que Donnie conheça Gretchen (vivida por Jena Malone). Nova aluna na escola e que começa a namorar com ele. Parece algo bom, mas isso trará consequencias trágicas para Gretchen, para Frank e, porque não dizer, para o próprio Donnie.




Outro delito cometido por ele é incendiar a mansão de Jim Cunningham, famoso guru de auto-ajuda (vivido por Patrick Swayze), que Donnie em determinado momento do filme chama de anti-cristo. Devido ao incêndio, os bombeiros descobrem que Cunningham é um pedófilo que filma as suas perversões em um quarto escondido em sua mansão.
Além disso, Frank leva Donnie a se interessar e começar a estudar sobre viagens no tempo. As consequencias disso são imprevisíveis.


Vovó Morte




Um personagem fundamental para a trama, apesar de pouco fazer para isso, é a Vovó Morte, ou melhor, Roberta Sparrow. Ela é uma ex-professora de física do colégio da cidade, que se tornou uma reclusa que não se comunica com ninguém e é considerada maluca por todos da cidade.
No primeiro momento que a encontramos no filme (quando o pai de Donnie quase a atropela), ela sussurra no ouvido de Donnie que todas as criaturas morrem sozinhas. Isso o afeta demais, porque esse é um dos seus grandes medos e, para piorar, isso acaba sendo um aviso para ele.
Em seguida, quando Donnie está especulando o atual professor de física sobre viagens no tempo, ele recebe um livro intitulado "Filosofia das Viagens no Tempo" da autoria exatamente de Roberta Sparrow!
Nesse livro são descritos os "portais do tempo" (wormholes) que Donnie começa a enxergar. Esses "portais" revelam o futuro das pessoas, indicando o "caminho" que essa pessoa irá seguir.


Dia das Bruxas


O prazo apresentado por Frank para o fim do mundo está acabando e na noite do Dia das Bruxas está acontecendo uma festa na casa de Donnie.
Durante a festa, ele olha diretamente dentro do "portal" de Gretchen e percebe que não tem como modificar o futuro. Então, ele, Gretchen e dois amigos vão para a casa da Vovó Morte.
Os delinquentes da escola, que vivem atormentando Donnie, estão tentando roubar a casa da velha. Quando Donnie e os amigos chegam ao local, eles são pegos e ameaçados do lado de fora da casa, até o momento no qual um carro aparece no horizonte.
Os malandros se assustam com a aparição da velha e fogem, mas o carro, para evitar atropelar a velha, acaba atropelando e matando Gretchen, que estava desmaiada no chão.
Quem dirige o carro? Frank, namorado da irmã de Donnie, vestido com a fantasia de coelho gigante.
Quando Frank desce do carro, Donnie não tem outra opção (é o seu destino), ele atira em Frank, matando-o com um tiro no olho direito!
Ele leva o corpo de Gretchen para o alto de uma colina e observa um estranho vórtice que está sendo criado sobre a cidade (mais precisamente sobre o seu quarto!).




Com tudo consumado, Donnie cumpre o seu destino, que é voltar ao passado e consertar tudo de ruim que aconteceu. Mas, para que isso ocorra, ele deve morrer na queda da turbina, para que essa "versão" ruim do futuro nunca exista.
Na verdade, a turbina é do avião onde estão a mãe e a irmã mais nova dele, voltando para casa. A turbina é capturada pelo vórtice (na verdade um "portal do tempo") e volta para o momento da queda.
Vemos Donnie na cama, sorridente e confiante. Ele entendeu o que se passou, a visita do seu "anjo" surtiu o efeito esperado. Ele não está mais sozinho, ele se reconciliou consigo mesmo e com Deus. Descobriu que pode ser amado e amar, a ponto de se sacrificar por essas pessoas.
A certa altura do filme, Gretchen pergunta a Donnie: "E se você voltar no tempo e livrar os outros de horas de dor e escuridão, e substituir por algo melhor?" É exatamente o que ele faz.
Sinceramente? É um final muito triste. Vemos a família de Donnie do lado de fora da casa, completamente abalados com a sua morte. Gretchen, que nesse momento ainda não conheceu Donnie (e nem vai saber o que  ele fez por ela), acena para a mãe dele, sem mesmo saber porque.


Destino ou Livre Arbítrio




Algumas pessoas vêem esse filme como sendo um filme sobre viagens no tempo. Realmente a viagem no tempo ocorre, mas ela só existe no enredo para discutir a questão do livre arbítrio.
O diálogo chave para compreender isso, acontece entre Donnie e seu professor de física:


Donnie: "Esse portal, ele pode aparecer em qualquer lugar e qualquer hora?"
Professor: "Acho isso pouco provável. Acho que você está falando de um ato de Deus."
Donnie: "Se Deus controla o tempo, o tempo foi pré-decidido"
Professor: "Não estou entendendo"
Donnie: "Todas as coisas vivas seguem um caminho. Se você puder ver o seu caminho, então poderia ver o futuro, certo? Como uma viagem no tempo"
Professor: "Você está se contradizendo, Donnie. Se fossemos capazes de ver nosso futuro, nosso destino, então teríamos a escolha de mudas nossos destinos. E o fato dessas escolhas existirem, faria com que todo destino pré-direcionado tivesse fim"
Donnie: "Não, se você viajar pelo caminho de Deus"


Essa é a chave para a discussão filosófica do filme. O interessante é que toda discussão acontece, baseada em algo que ninguém acredita que seja possível existir: viagens no tempo.
Donnie acredita na existência do destino, no futuro pré-determinado por Deus e como ele está enxergando os "portais" das pessoas, ele acredita que pode saber o futuro delas.
O professor, cético e racional, argumenta que a existência de viagens no tempo (para o passado), permitiria a mudança do futuro e, por consequencia, o destino pré-determinado não existiria mais.
Contra essa argumentação, Donnie contrapõe a fé, dizendo que talvez a mudança no futuro já fizesse parte dos desígnios de Deus ("caminho de Deus").
O que acontece no final não toma partido de nenhuma dessas duas teorias. E nem é a sua intenção. O importante é a questão levantada.
Nos momentos finais, percebemos uma religiosidade em Donnie, que não era percebida antes. É uma revelação misturada com uma resignação com o destino.
Podemos observar isso em toda a sequência na frente da casa da Vovó Morte e na sequência anterior (na festa).
Durante a festa, Donnie observa o "portal" de Gretchen e, claro, descobre o que vai acontecer com ela. Mesmo assim, ele não procura impedir, mas sim precipita os acontecimento, para que o destino seja cumprido. Um diálogo estranho ocorre durante a luta entre Donnie e o delinquente da escola, enquanto Gretchen está caída e prestes a ser atropelada.
Num primeiro momento Donnie suplica: "Deus, salve-a", para logo em seguida dizer: "Nosso salvador". É mais um dos enigmas desse grande filme.
Acredito que seja Donnie se reconciliando com Deus, tentando evitar o seu destino para depois compreender que não tem como fugir dele. Donnie deve se sacrificar pelos seus parentes e amigos.


Mais alguns detalhes interessantes


Como disse, você precisa ficar ligado nos detalhes. Alguns são mais importantes, outros menos, mas todos muito interessantes. Vejamos alguns deles:

  • A discussão sobre o sexo dos Smurfs e da Smurfette
  • Quando a professora de literatura (vivida por Drew Barrymore) está se despedindo, está escrito na lousa o termo "Cellar Door" (porta do porão). Ela explica a Donnie que linguistas elegeram essa combinação de palavras como a mais bonita da língua inglesa. É exatamente na frente da "porta do porão" da casa da Vovó Morte onde acontece o climax do filme
  • No final, enquanto Donnie morre atingido pela turbina, vemos a reação de diversos personagens ligados a ele: Frank está trabalhando em esboços da máscara de coelho e sente algo no olho direito (o olho está salvo!), Cunningham chora copiosamente ao perceber os seus pecados e se arrepende, a estudante, secretamente apaixonada por Donnie, dorme em paz, como ele havia prometido a ela e a psiquiatra acorda sobressaltada
  • O que faz aquela cabeça de coelho (praticamente igual a máscara de Frank) na bancada da cozinha dos Darko?
  • Por que a psiquiatra insiste em falar com Donnie urgentemente na noite da festa?
  • Por que, na cena final, a mãe de Donnie é a única a não chorar pela morte dele?
  • Por que, no momento da queda da turbina (a queda mortal), ouvimos uma buzina insistentemente sendo tocada?

Assista o filme, ele é um cult movie inteligente, bem dirigido e montado, mas infelizmente esquecido ou ignorado pelo grande público.

Sites Interessantes: IMDB / Site Oficial do Filme



terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Vergonha




Não existe outra palavra para definir o que aconteceu no Congresso Nacional nesta semana: VERGONHA. O aumento que os deputados concederam a si próprios de mais de 60% é algo ridículo.






Esses senhores, que acreditam estar acima de qualquer lei, norma ou moral, tiveram a "cara de pau" de utilizar os últimos expedientes do ano do Congresso Nacional e na calada da noite concederam esse aumento indecente.
Não devemos esquecer que esse salário será utilizado não somente para o pagamento dos próximos deputados e senadores eleitos nessa última eleição (o que já é algo imoral, porque muitos continuam na casa), mas também para o cálculo das "aposentadorias" dos que saem esse final de ano.
É muito interessante que uma certa categoria seja melhor que o resto da nação e possa legislar em causa própria, determinando quanto deve ser o aumento para o seu próprio salário. E ainda por cima chamam isso de democracia! Democracia deveria ser o poder emanando do povo e nada mais longe do povo do que um aumento desse tamanho.
Na segunda-feira pude ver na televisão a justificativa de um deputado para esse aumento. Acho que me convenceu. Ele disse que os congressistas são muito requisitados como padrinhos de casamento (!!!), paraninfos de formaturas (!!!???!!!!) e que tem obrigações com as suas bases (ele quis dizer que deve sustentar os seus currais eleitorais? É isso??). Não contente em dizer essas barbaridades, o nobre parlamentar disse ainda que é impossível cumprir as suas obrigações financeiras com os 7 mil que sobram do salário e desafiou qualquer brasileiro a viver com um salário de 11 ou 12 mil mensais.
Gostaria de perguntar ao nobre deputado: "O senhor sabe quantos brasileiros tem o prazer de receber 11 ou 12 mil reais por mês?". Garanto que a grande maioria do eleitorado dele não faz parte desse privilegiado grupo de pessoas.
Infelizmente a minha antiga teoria está cada vez mais confirmada: o nosso país não tem mais solução pacífica a curto prazo (infelizmente). Isso, porque essa cultura de tomar para sí o bem público, que se espalhou pelos parlamentares (independente de partido, estado de origem ou sexo), não é algo que se consiga resolver facil e rapidamente. Vejamos.
Com o valor indigente que é investido no ensino básico do país, vamos continuar uma horda de ignorantes, sustentados pelos "bolsas famílias" da vida. Com isso, tudo está maravilhoso, tudo está correndo muito bem, todos estão felizes, não importando o que aconteça. Isso é um ciclo vicioso. Ignorância gera ainda mais ignorância, em escala exponencial. O céu é o limite.
Esse status da população gera essa inércia, essa apatia, quando percebemos uma barbaridade dessas acontece e não vemos ninguém indo as ruas para reclamar. Não sei se estou enganado, mas em boa parte dos países da América do Sul (lugar onde, em nossa arrogância, acreditamos ser um país superior a todos) já teríamos o povo na rua contra esse fato.
Além disso, se observarmos o passado recente do país, veremos outros pontos interessantes, que ajudam a explicar o que acontece.
Alguns anos atrás (na minha adolescência), a fonte de demonstração de insatisfação do país eram os sindicatos, que agitavam greves e passeatas contra o regime e seus atos. 
Aí veio o Neo-Liberalismo (com o nosso querido presidente Fernando Henrique Cardoso), onde um dos princípios básicos é o enfraquecimento dos sindicatos para que o capital possa dominar completamente as relações entre empregado e empregador. Parecia o fim.
Mas, surgiu uma luz no fim do túnel, um governo que se auto-proclamava de esquerda (nosso querido Luis Inácio Lula da Silva). E o que acontece? Os sindicatos são simplesmente engolidos pelo governo, num sistema de "trocas" que tornou os sindicatos parte integrante do governo. Como esse congresso é majoritariamente governista, como reclamar dele e do que ele faz?
Ah, mas tem a juventude, com a sua urgência e raiva natural. Os estudantes e suas convicções políticas e ideológicas. Basta vermos o papel desses estudantes no impeachment do nosso querido presidente Fernando Collor de Mello. Mas, cadê os estudantes em passeatas contra os nossos parlamentares (tirando meia dúzia de gatos pingados que fizeram uma manifestação em Brasília)?
No caso Collor, a nossa juventude estava assistindo a uma minisérie da Globo, onde as revoltas contra o Golpe de 64 apareciam (caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento...e por aí vai). A própria emissora, na época, entrou em rota de colisão com o então presidente e praticamente incitou os jovens a essa "revolta". Vamos ser sinceros, é muito difícil fazer qualquer estudante, ou qualquer outro cidadão comum, ir para uma passeata hoje em dia. Estamos simplesmente anestesiados, assistindo a tudo pela televisão. Mas que televisão: LCD de última geração...
Por falar nisso, cadê a indignação da Rede Gllobo, a "Vênus Platinada"? A emissora "chapa branca" é cada vez mais governo.
Por essas e por outras é que não acredito em uma solução, nem a médio prazo. Constato que vamos continuar vendo essas barbaridades por muitos anos. Até que as nossas falências, como país, sejam decretadas.
A falência educacional é evidente. Festejamos estar em trigésimo e alguma coisa lugar, em uma lista que deve ter uns cinquenta países!
A falência moral também é evidente, basta observar o que acontece ano após ano no nosso Congresso, Governo e Judiciário, por mais que esses sejam renovados pelo voto ou indicação.
Já a falência econômica é algo não tão evidente, principalmente de acordo com as notícias ufanistas que recebemos todo dia. Não sou economista, mas em conversa com muitos deles (alguns completamente apocalípticos), adquiri uma certeza: nosso país caminha a passos largos para uma situação financeira incrivelmente ruim.
A tal marola que o nosso querido presidente Lula teimou tanto em ressaltar vai nos atingir como um verdadeiro tsunami e aí vamos ver onde estarão esses "representantes do povo", que tem a cara de pau de conceder esses aumentos indecentes.
Isso tem que mudar. Não é possível que um grupo de pessoas possa legislar sobre o próprio salário, sem levar em consideração um status geral da economia. O governo faz um discurso de que deve gastar menos para diminuir a dívida pública interna e os nossos deputados e senadores aumentam o próprio salário em mais de 60%. Isso não é acima da inflação do período. Isso não levou em consideração indicador nenhum! Essa situação tem que mudar, temos que começar a aprender com a iniciativa privada (não que seja o paraíso, mas tem algumas coisas interessantes que deveriam ser copiadas).
Decisões devem ser tomadas baseadas em indicadores. Os profissionais devem ser avaliados se cumpriram os seus objetivos. As empresas devem ser analisadas baseado em seus objetivos e nos resultados obtidos.
Substitua profissional por político e empresa por governo e você terá uma idéia do que penso sobre isso.
Se esse texto servir para alguma coisa, que pelo menos sirva para colocar aquele vírus de indignação em quem lê, para que coisas como esse possam deixar de acontecer num prazo menor do que eu acredito.
Mas, o importante é o Carnaval, a Copa do Mundo de Futebol, a Olimpíada do Rio .... isso me lembra uma piada antiga do Juca Chaves que dizia: "Hiena come merda e rí do que?"


Todo mundo se machuca



Como minha primeira postagem, vou falar de música.
Começo com Everybody Hurts, do R.E.M. (do disco Automatic for the People).






Em primeiro lugar, uma música maravilhosa (composta pelos quatro componentes do grupo).
Se não for a melhor do disco é a segunda melhor (porque esse disco ainda tem Drive!). Mas, com certeza, é uma das melhores músicas do grupo.
É um chamado àquelas pessoas desesperadas, que perderam toda a esperança na vida e pensam em suicídio. Sempre existe alguém para tentar confortar, aliviar o peso dessa pessoa. Afinal de contas, como o próprio nome da música diz: "Todo mundo se machuca" em algum momento da vida e não devemos desistir por isso. É uma letra linda.
Além disso, é o melhor videoclipe que já assisti. Simples, mas com uma idéia brilhante.
Observe que o vídeo apresenta o pensamento das pessoas, dentro de seus carros, presas em um enorme congestionamento e completamente desiludidas. Até o momento da "libertação". Assistam, é um vídeo de arrepiar.




Dê uma olhada na letra:




When your day is long
And the night the night is yours alone
When you're sure you've had enough of this life
Hang on



Don't let yourself go
'Cause everybody cries
And everybody hurts, sometimes


Sometimes everything is wrong
Now it's time to sing along
When your day is night alone (Hold on, hold on)
If you feel like letting go (Hold on)
If you think you've had too much of this life
To hang on


'Cause everybody hurts
Take comfort in your friends
Everybody hurts
Don't throw your hand, oh no
Don't throw your hand
If you feel like you're alone
No, no, no, you're not alone


If you're on your own in this life
The days and nights are long
When you think you've had too much of this life
To hang on


Well, everybody hurts
Sometimes, everybody cries
And everybody hurts, sometimes
But everybody hurts, sometimes
So hold on


(7x)
Hold on


Everybody hurts

You're not alone


Letra traduzida (a tradução é minha):


Quando o dia é longo
E a noite, a noite é só sua
Quando você tem certeza que já aguentou o suficiente dessa vida
Não desista

Não se deixe levar
Porque todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes

Algumas vezes tudo está errado
Agora é a hora de cantar junto
Quando o seu dia é uma noite solitária (Aguente, aguente)
Se você se sente indo embora (Aguente)
Se você pensa que já aguentou muito nessa vida
Para não desistir

Porque todo mundo se machuca
Conforte-se com seus amigos
Todo mundo se machuca
Não solte a sua mão, oh não
Não solte a sua mão
Se você sentir como se estivesse sozinho
Não, não, não, você não está sozinho

Se você está sozinho nessa vida
Os dias e noites são longos
Quando você pensa que já aguentou muito nessa vida
Para não desistir

Bem, todo mundo se machuca
Algumas vezes, todo mundo chora
E todo mundo se machuca, de vez em quando
Mas todo mundo se machuca, de vez em quando
Então, não desista

(7x)
Não desista

Todo mundo se machuca

Você não está sozinho